26 de fevereiro de 2010

25 de fevereiro de 2010

Um seguidor

Foi num dia comum, em que tudo estava indo bem, que ele sentiu um aperto no peito quando foi dormir. Um pouco de culpa, talvez. Já que mais cedo havia feito algo, na inocência, mas que poderia ter resultados, para ele, catastróficos.
Se sentiu culpado por querer ser amigo. Para ele, não passava pela cabeça que estar presente quase que o tempo todo era ruim. Era normal. Também não fazia de propósito... era só seu jeito de ser amigo.
Mas pensar que podia ter atrapalhado algo e que alguém podia ter ficado chateado ou até com raiva dele, era insuportável. Não estava fazendo drama e nem querendo pagar de coitadinho... ele simplesmente se sentia muito mal mesmo com isso.
Botou a cabeça no travesseiro e começou a pensar de tudo ruim que poderia acontecer.
Se encolheu na cama, como se estivesse preso em um casulo pequeno.
Então começou a desabafar, sozinho. Só ele sabia do que estava falando e se alguém viesse escutá-lo, não entenderia.
Seus pensamentos eram desconexos.
Tentou se animar, lembrando de coisas engraçadas... coisas boas que acontecera recentemente... momentos felizes. Tentou parar de se martirizar e sofrer.
Prometeu a si mesmo que não repetiria o ocorrido. Jamais. Não queria ser um amigo sufocante.
Ainda no casulo ele se lembrou de uma poetisa que havia lhe falado naquele mesmo dia: "Veja cada amanhecer como um recomeço!" então ele decidiu que era hora de abandonar o casulo e deixar de ser lagarta para ser uma borboleta livre pra voar.
Se lembrou depois da teoria do caos: um bater de asas de borboleta no ocidente, causa tufões no oriente.
Então, concluiu que qualquer atitude que tomar nessa vida vai ter consequências boas e ruins, cabe a ele escolher a que terá menor efeito negativo sobre os outros.
Decidiu viver.
Ele ainda quer ser amigo, mas prometeu se controlar e finalizou dizendo para ele mesmo, sozinho (como se esperasse que alguém o ouvisse).
"Desculpa."

23 de fevereiro de 2010

22 de fevereiro de 2010

RE: Eu, eu mesmo e Fernando Braida

Se alguém, por algum acaso chegou a ler o post intitulado "Eu, eu mesmo e Fernando Braida" tenho que explicar os fatos que sucederam depois.

Primeiro: Não me declarei. Na verdade eu tinha já falado que não me declararia. Só estou aqui pra confirmar isso!
Se alguém viu o post que estava programado para o dia 21, viu a minha situação.

Segundo: Meus sonhos parecem cada vez mais confusos, por incrível que pareça. Começando então uma faculdade amanhã, me deixa mais confuso sobre o futuro.

Cheguei a conclusão de que as amizades são o que importam nessa vida! Preferi não perder uma e adorei saber que ainda tenho uma antiga, mesmo depois de alguns fato virem a tona. Isso realmente me incomodava e percebi que eu temia à toa. Amizade que é amizade mesmo, de verdade, não acaba por motivos "tolos".

Agora eu acho que consigo viver um pouco mais a minha vida. Viver mais "feliz"! Mas não mais impulsivo ou corajoso.

Descobri que a pessoa que eu gosto, gosta de outra pessoa, mais bonita e provavelmente mais interessante do que eu.
Bem... não descobri isso! Deduzi!
Sei lá... a possibilidade de conhecer novas pessoas amanhã (hoje) tem me animado!
Passei um ano improdutivo em 2009.

Hoje acordei cheio de decisões que ao longo das horas foram se perdendo.

Cada dia que passa estou mais confuso e mais perdido...

Por que raios o sino da igreja está tocando a uma e meia da manhã?
Talvez os sinos estejam como eu, eufóricos pelo novo dia que vai começar e não aguentam espera mais.

Vida nova que começa hoje! Novos planos! Novas atitudes!

Espero sorte para esse 2010 que se inicia!

Até breve!

20 de fevereiro de 2010

Eu, Eu mesmo e Fernando Braida

"Se eu fosse jovem fugiria desta cidade / Enterraria meu sonhos debaixo da terra"
(Beirut - "Elephant Gun")

Eu tenho o mal do século que acometia Álvares de Azevedo! Eu tenho spleen!
Não... na verdade, acho que não tenho spleen... só sou um pouco carente de atenção.
Sabe, me encanta ter um lado Ariel e Caliban. O "bem" e o "mal" (resumidamente). Todas as pessoas são um pouco assim... pra falar a verdade tudo, mas tudo mesmo é assim! Sempre há dois lados!

Hoje parei pra pensar: meu sonhos? Quais são meus sonhos?
Não sei...

Sabe, acho que tenho gostado de uma pessoa que não deve saber disso.
Aí me pergunto: Continuarei amando em segredo, ou contarei, mesmo correndo o risco de perder a amizade?
Dúvidas...

Para falar a verdade (mais uma), sei que não vou contar. E tem mais. Continuarei, sim, amando em segredo. Assim, quem sabe, um dia essa loucura da minha cabeça passa. A solução é talvez cair na boemia. Como diz um amigo de velha data: "Vou me entregar aos vícios!"

Talvez eu não me entregue aos vícios. Muito provavelmente não me entregarei e continuarei sendo carente de atenção. Não me importo. MESMO.

Gosto das poesias de Álvares de Azevedo. Para ser sincero, li bem poucas do livro "A lira de 20 anos", mas mesmo assim posso afirmar que gosto e indico. Leiam!

Ultimamente eu ando inconstante comigo mesmo. Parece até que tenho transtorno bi-polar. Mas é que talvez eu ando pensando demais antes de agir. Gostaria de ser mais impulsivo sem pensar nas consequências. Me jogar no futuro. Viver! Como diria o samba:
"Viver e não ter a vergonha de ser feliz!"
 Bem, acho que é isso que tenho por hoje. Um post com meus reais questionamentos. Espero que gostem do texto, mesmo que confuso...

Um abraço e volto um dia, talvez, com mais um texto sobre mim.

17 de fevereiro de 2010

A alameda das cartas

Existe sim um lugar, não nesse mundo de homens, onde todas as cartas não enviada (ou então aquelas que desejaram enviar, mas nem escritas foram) são destinadas.
A carta a seguir não tem remetente e está destinada à "Você" (está realmente escrito "Você" no envelope, acreditem)

Você sabia que eu te amava? Amava de amor mesmo! Um amor de amigo, de companheiro, de amante... um amor meio louco, é verdade... mas nem por isso deixava de ser verdadeiro! 
Sabe, tive vontade de me declarar uma porção de vezes... mas não tive coragem... 
Sou um tolo sim! Eu mesmo me considero um tolo! Mas minha tolice devia-se ao fato de temer perder sua companhia, sua amizade.
Era engraçado o modo como eu ficava ao te ver... lembro da primeira vez em que saímos (só como amigos)...
Minha boca secou na mesma hora em que meus olhos avistaram os seus. Foi tão mágico e especial para mim. Lembro até que alguém chegou a comentar como eu estava tremendo... e eu estava mesmo! Disfarcei falando que era fome...
Sou de fato um tolo! As vezes acho que devia ter me arriscado sim, sabe? Para que pelo menos eu pudesse dormir com a cabeça mais leve.
Não que eu reclame de ter só sua amizade. Pelo contrário! Adoro conversar com você... olhar nos seus olhos e saber o que realmente está se passando.
Te conheço tão bem... Acho que te conheço mais do que me conheço. É por isso que eu me julgava ser o seu companheiro ideal. Saberia como cuidar de você... como te acolher em um momento difícil.
Mas nem sempre o que queremos é que é o certo.
Não entenda isso como uma desistência do meu amor por você. Não! Eu nunca vou deixar de te amar. Pode passar um mês, um ano, dez anos... mas eu nunca vou deixar de gostar de você.
Você foi a primeira pessoa que parecia me completar realmente. Então por isso eu acho que vai doer muito a cada vez que eu ver você com seu novo amor.
Saberei superar, mas nunca deixarei de te amar.
Tenho a total consciência de que se você estalar os dedos me chamando eu irei até você (não me envergonho por isso não)
Se alguém me perguntasse qual foi o amor da minha vida, sem dúvida a resposta seria você. Sempre!
Não consigo explicar, mas é algo maior! E pode parecer estranho eu ficar afirmando que te amo, amo, amo... mas acho que essa é a palavra...
Passei da fase da simples paixão. Não posso dizer só que "gosto" de você. Então melhor termo seria "amar".
Relendo essa carta agora, vejo quantas reticências eu usei. Reticências é um sinal de que as coisas ainda continuam... (mais uma)
Enfim, espero que você não ache piegas e nem dramática essa carta. São apenas sentimentos que ficaram guardados durante um bom tempo no meu peito. Espero que continuemos amigos mesmo depois dessa declaração.
Nem estou acreditando que tive coragem de me declarar! É um passo muito grande pra mim! Mas também se eu não o fizesse, não estaria sendo eu...
Me despeço agora desejando tudo de melhor para nós dois. 
Um abraço de alguém que te admira.


Engraçado, acho que quem escreveu a carta desistiu de dar o passo importante que tinha resolvido.
Enfim, voltarei a cuidar da alameda das cartas e quando houver alguma interessante como essa, eu venho lhes contar.
Fiquem com seus protetores e se lembrem: Nenhum sentimento é pequeno demais para ser dispensado numa folha de papel. Alguém sempre vai saber.

14 de fevereiro de 2010

Madame Bonheur (continuação)

[Para a anônima (risos) que me pediu uma continuação através do comentário]

Era final de tarde e a menina passava em frente a uma praça. Parou. Viu que umas crianças brincavam nas gangorras, uns idosos alimentavam os pombos e o sorveteiro, vestindo seu único jaleco azul, personalizado com seu nome, já estava empurrando seu carrinho, indo embora. Ela resolveu sentar em um dos bancos. Ficou admirando o rosado pôr-do-sol.
As palavras da Madame Bonheur ficaram rondando sua mente...
"Sua felicidade é você quem faz!"
E mesmo desacreditada, mas já resolvida que faria aquilo, a menina decidiu que aquele era o momento em que ela teria que começar a agir.
Buscou em sua mente quem a fez feliz. Ela queria que viesse uma resposta rápida. Alguém que ela tivesse amado. Amado mesmo, com todas as forças.
Vieram os amigos, os familiares, mas ninguém que ela realmente tivesse amado.
Pensou com ela mesma que aquilo seria bobagem e que cartomantes não passam de charlatãs.
Voltou a olhar a paisagem e notara que já havia anoitecido. Ficou olhando as estrelas e por um motivo que nem ela mesma sabe, procurou com os olhos as Três Marias e logo se lembrou de um velho amigo que a ensinara que elas faziam parte do cinturão de Orion. Logo um sorriso surgiu em seu rosto. Nem ela entendeu direito.
Voltou pra casa.
No caminho lembrou do seu primeiro amor. Amor verdadeiro. Daqueles que dói só de lembrar. Ela tinha 15 anos, ele já ia fazer 17. Uma lágrima escorreu no canto do rosto.
Pegou o ônibus.
Ao ver uma criança comendo pipoca, sentada a sua frente, se lembrou de seu aniversário de 10 anos. Todos os amiguinhos cantando "Parabéns a você" em volta do bolo. Ela com vergonha foi parar em baixo da mesa na hora do "Com quem será?". Outro sorriso surgiu.
Foi nesse mesmo aniversário que ela havia dado seu primeiro beijo. Um selinho, em um menino que ela gostava, mas tinha vergonha de gostar. Se lembrou de como ficou com vergonha. Riu sozinha no ônibus.
Passou na rua um rapaz que carregava um buquê de rosas. Ela se lembrou do último rapaz que dizia ter a amado. Dessa vez não houve lágrimas, nem sorrisos. Ela só lembrou.
O ônibus parou no sinal e pela janela ela viu um muro pichado com a seguinte frase "Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.".
Coincidência?
Talvez sim... talvez não...
O fato é que naquele momento a menina realmente se deu conta de tudo o que havia passado.
Ela não precisava de alguém que a amasse desesperadamente, como ela queria. Ela não precisava amar alguém desesperadamente.
Ela tinha é que se permitir ser amada, amar e principalmente se amar.
Seus amigos e familiares eram sua melhor companhia.
Não que não precisasse de um "amor", afinal, todos precisamos, mas ela chegou a conclusão que existem várias formas de amar.
Ela não se decepcionou com isso, pelo contrário. Foi reconfortante.
Agora sim ela entendia o que a cortomante queria dizer.
Prometeu a ela mesma que daria chances de ser feliz. Não ia deixar passar uma oportunidade. Ia tentar ser feliz do jeito que tivesse de ser.
Quanto ao amor?
Ela agora queria dar chance a ela mesma. Se alguém falasse que a amava ela também amaria esse alguém. Ou pelo menos tantaria.
Para ela agora só importava uma coisa: só queria não deixar de ser feliz.

La Redécouverte

Valente Valentim

"Durante o governo do imperador Cláudio II, este proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que os jovens se não tivessem família, alistariam-se com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome era Valentim e as cerimônias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega: Asterias, filha do carcereiro a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram apaixonando-se e milagrosamente a jovem recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “de seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada. Valentim foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270."

13 de fevereiro de 2010

Madame Bonheur

Ela, uma menina normal, daquelas que passa despercebida na rua por você, tomou uma atitude radical! Decidiu não procurar mais a pessoa amada.
Queria que as coisas fluíssem naturalmente. Agora, era ela que queria ser procurada.
Mas vocês sabem como é, o tempo passa... ficamos mais velhos... e o desespero da menina só crescia com o passar de seus relacionamentos superficiais. Ela agora queria algo concreto.
Decidiu procurar uma cartomante!
Madame Bonheur.
Com a promessa de ler o futuro, de trazer a pessoa amada e de explicar o passado, a menina acreditou que essa era uma oportunidade que não podia deixar passar.
A casa era velha, mas nem por isso acabada. Cheirava a veludo velho. Ela pode contar no mínimo uns cinco gatos diferentes no jardim.
Entrou. Apreensiva, com pequenos passos dirigiu-se até a porta. Bateu. Três vezes fora o necessário. E abriu uma mulher já de certa idade, mas muito bonita. Suas rugas eram mais de preocupação do que de tristeza. Vestido em tom pastel e os cabelos um pouco grisalhos, lhe dava um aspecto sereno e acolhedor.
A menina despejou todos os seus problemas na pequena mesa onde a cartomante atendia.
Durante uns quinze minutos só se ouvia a aguda e suave voz da menina enquanto a cartomante fitava suas cartas.
"E aí?" perguntou a menina.
A cartomante respirou fundo, olhou nos jovens olhos castanho e lançou: "Você teve a chance de ser feliz. A sua felicidade está próxima a você. Basta querer ser feliz."
"Só isso?" indagou a menina.
"Sim! Acredite no que direi: sua felicidade é você quem faz!"
A menina saiu de lá um pouco desacreditada na cartomante, mas virou a esquina e decidiu fazer aquelas palavras se tornarem realidade.


Desenho: Rodrigo Falco

12 de fevereiro de 2010

Believing changing

Ele acordou e pensou: Sim, é hoje! Hoje farei tudo diferente! (isso porque conversas recentes haviam levado ele a tomar essa decisão) Porque não tentar? Se der errado vai virar experiência adquirida!
E lá foi ele... decidido realmente a mudar! E estava feliz por isso. Feliz em pensar em mudar! Passou o dia inteiro pensando nessa mudança!
Mas seu erro talvez tenha sido planejar o futuro, que para todos, sem exceção, é incerto...
Finalmente chegou a hora de colocar em prática, tudo o que ele tinha pensado. Até quebrou alguns valores que prezava e se orgulhava em manter.
O tempo foi passando... passando... passando... e ele foi percebendo que sua mudança não obteve o resultado que ele tinha planejado e pensou: será que estou fazendo a coisa certa, do modo certo?
O tempo acabou... suas mudanças não funcionaram... e agora só restava voltar para casa vendo a paisagem correr diante seus olhos...
No dia seguinte ele decidiu: Não mudarei mais! Serei do jeito que sou! Não importa se serei feliz ou não!
Ele preferiu se acomodar sim... estava sofrendo... queria que pelo menos uma vez as coisas saíssem como o planejado.
Talvez um dia apareça outro motivo que o faça querer mudar novamente, mas por enquanto, ele vive desiludido na sua pequena caixa azul.