25 de fevereiro de 2010

Um seguidor

Foi num dia comum, em que tudo estava indo bem, que ele sentiu um aperto no peito quando foi dormir. Um pouco de culpa, talvez. Já que mais cedo havia feito algo, na inocência, mas que poderia ter resultados, para ele, catastróficos.
Se sentiu culpado por querer ser amigo. Para ele, não passava pela cabeça que estar presente quase que o tempo todo era ruim. Era normal. Também não fazia de propósito... era só seu jeito de ser amigo.
Mas pensar que podia ter atrapalhado algo e que alguém podia ter ficado chateado ou até com raiva dele, era insuportável. Não estava fazendo drama e nem querendo pagar de coitadinho... ele simplesmente se sentia muito mal mesmo com isso.
Botou a cabeça no travesseiro e começou a pensar de tudo ruim que poderia acontecer.
Se encolheu na cama, como se estivesse preso em um casulo pequeno.
Então começou a desabafar, sozinho. Só ele sabia do que estava falando e se alguém viesse escutá-lo, não entenderia.
Seus pensamentos eram desconexos.
Tentou se animar, lembrando de coisas engraçadas... coisas boas que acontecera recentemente... momentos felizes. Tentou parar de se martirizar e sofrer.
Prometeu a si mesmo que não repetiria o ocorrido. Jamais. Não queria ser um amigo sufocante.
Ainda no casulo ele se lembrou de uma poetisa que havia lhe falado naquele mesmo dia: "Veja cada amanhecer como um recomeço!" então ele decidiu que era hora de abandonar o casulo e deixar de ser lagarta para ser uma borboleta livre pra voar.
Se lembrou depois da teoria do caos: um bater de asas de borboleta no ocidente, causa tufões no oriente.
Então, concluiu que qualquer atitude que tomar nessa vida vai ter consequências boas e ruins, cabe a ele escolher a que terá menor efeito negativo sobre os outros.
Decidiu viver.
Ele ainda quer ser amigo, mas prometeu se controlar e finalizou dizendo para ele mesmo, sozinho (como se esperasse que alguém o ouvisse).
"Desculpa."

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